estar com ele é fácil. ele não faz muitas perguntas, não quer saber da onde venho ou aonde dói. apenas está lá, assistindo futebol e falando uma besteira qualquer pra me fazer rir. tentando chegar a um consenso sobre times e gêneros musicais, mesmo sabendo que nunca vai dar em lugar nenhum porque nós simplesmente não temos muitas coisas em comum. ele não pergunta se estou triste. nunca perguntou. ele não pergunta da minha essência, não quer saber porque eu sou assim. quando contei pra ele sobre meus pesadelos e o motivo dos remédios para dormir, ele me fez rir e eu acabei achando meu problema todo uma grande besteira. não massageou meu ego dizendo que eu não tinha motivo nenhum pra ser tão insegura nem fica falando que eu sou bonita, ou coisa do tipo. ele me fez rir. assim como me faz rir do mau humor que eu fico quando sinto sono ou da minha memória de peixe. é como se nós nos conhecessemos há séculos e ao mesmo tempo, não nos conhecessemos nem um pouco. é raso e leve como deve ser.
ele é uma piscina num dia de calor, e a àgua bate bem nos meus ombros. é o suficiente pra me refrescar e eu não preciso fazer esforço - apenas fico lá, boiando, mergulhando, voltando a superfície com a certeza de que meus dois pés estarão no chão quando eu quiser, numa altura segura, sem precisar ter medo de me afogar.
quando eu olho em seus olhos eu só penso que queria que a vida fosse sempre assim. rir dos nossos problemas e depois dormir de conchinha. ter todas as piadas internas do mundo quando nós nos conhecíamos não tinha nem 24 horas.
prazer efêmero esse, o de se apaixonar. é como sentir prazer na força que se faz ao pressionar o buril contra a madeira ao fazer uma gravura. assim que você estiver gravado em mim, eu vou sentir falta desse prazer e o que eu sinto será um caminho sem volta - porque quando a gente gosta de alguém nunca pode ser só alegria. o amor dói e isso é uma constante. amor tem que doer.
o amor tem que doer.
como uma tatuagem.
o amor é uma tatuagem, uma gravura na carne.
tem que doer como uma cólica incessante, queimar como um fogo inevitável, cicatrizar lentamente como uma ferida e deixar uma marca que não desaparece nunca.
domingo, 19 de abril de 2009
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2 comentários:
Se for para acontecer, amor, ele vai ler.
E nesse dia, ele vai perceber que vc é uma pessoa maravilhosa. E quão sortudo ele é.
Teamo³
Léo
o que eu tenho coragem de te dizer:
estar com ela é diferente. sempre tem as respostas e as coisas bem definidas, ainda assim me enche de dúvidas quando o sol cai. ela me faz acordar pensando se ela ainda estará por ali. não sabe muito de mim, as vezes acho que não se importa em saber e talvez seja melhor assim. por isso que ela sempre duvida. do meu amar, do meu querer e provavelmente até do meu ser.
eu me apego as coisas que ela fala. muitas das palavras dela ricocheteiam num ritmo ímpar antes de dormir, constantes para me dominar e desordenadas o suficiente para me roubarem o sono. ela é singular, é como uma brisa que sentimos numa varanda de noite: ela vem e desaparece, me prendendo pra sempre naquele momento. não adianta eu procurar novamente. resta esperar ela voltar sem eu menos perceber - para me impedir de esquecê-la.
quando eu olho pra ela, eu vejo muito além das sensações, das brisas e das palavras ditas. quando eu toco, eu esqueço do resto e provavelmente de mim memo. eu não me importo de que lugar ela veio, pelo que ela passou ou como está aqui. eu gosto da pesoa que ela é. esmiuçada em detalhes, vestida de sorrisos mas também despida de máscaras. ela me faz esperar e acreditar que tudo na vida pode ser bom. como se ela trouxesse todas respostas no espaço de seu sorriso e em olhos que se comprimem quando ri.
temos pouco em comum. anos nos separam, experiências nos dividiram e muitos das nossas opiniões foram construídas em cantos distintos. nós só compartilhamos medos, desejos, risadas, conhecidos, séries, gostos e o abraço um do outro. não sou uma pessoa que acredita em destinos e certezas. pra mim tudo é incerto e o amanhã pode não existir. mas se não foi o destino, o acaso fez uma grande piada com nós, só pra ver o que acontecia. nem ele e nem nós dois acreditamos nos dias seguintes.
ela é diferente de tudo que encontrei. não por ser doce ou por ser amarga. mas por ter um gosto que só ela tem, wonka-like, guardando em si mil sabores.
só posso concordar que o amor é como tatuagem. a tatuagem arde e deixa uma marca pra sempre.
mas essa marca não depende da força com que é feita ou da quantidade de pele que toma pra si. é pura e exclusivamente resultado do que se forma entre quem faz e quem é tela. da confiança, da cumplicidade e da sua habilidade.
é inevitável ferir. mas após esse início sofrido, é uma beleza sem mais dor. que todos podem ver e admirar. é um amuleto pra se ter quando está sozinho a noite, e a compania que temos quando nem a nossa mais suportamos.
da tatuagem a gente não se apega à dor. e sim no prazer de ver ela brilhando em cores depois.
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