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segunda-feira, 29 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
bonito
fechei os olhos enquanto você corria as mãos pelas minhas costas
e tentei memorizar teu cheiro
teu beijo que desde o primeiro tinha sabor de despedida
de fruta roubada
de dor iminente
passei os dedos pelo teu rosto, teus cabelos
tuas texturas ficaram gravadas em minhas mãos
e de cada centímetro teu que partilhei
não consigo me desvencilhar
a memória dos teus olhos
claros e tristes
oceanos profundos
ondas violentas
teu beijo urgente, os lábios mornos
tuas mãos me segurando como quem cai de um precipício
nosso amor breve e intenso
e nós dois éramos um só nó
nossa vida cabe em um dos lados de uma ampulheta.
e tentei memorizar teu cheiro
teu beijo que desde o primeiro tinha sabor de despedida
de fruta roubada
de dor iminente
passei os dedos pelo teu rosto, teus cabelos
tuas texturas ficaram gravadas em minhas mãos
e de cada centímetro teu que partilhei
não consigo me desvencilhar
a memória dos teus olhos
claros e tristes
oceanos profundos
ondas violentas
teu beijo urgente, os lábios mornos
tuas mãos me segurando como quem cai de um precipício
nosso amor breve e intenso
e nós dois éramos um só nó
nossa vida cabe em um dos lados de uma ampulheta.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
contos de adeus - parte I
enquanto o vento frio me cortava o rosto e o céu azul parecia quase um insulto, observei os rostos cheios de vida daquelas pessoas, não muito mais novas que eu, que sorriam uns pros outros embriagados pelo sono. puxei o capuz para esconder meu mau humor e passar desapercebida e estar com os braços cobertos era de grande ajuda nesse momento. atravessei todo o pátio até chegar aonde queria, fiz o que tinha que fazer e corri à biblioteca.
toda aquela juventude me dava náuseas, então fiz o possível para fazer o que tinha que fazer o mais rápido possível e conseguir pegar o ônibus que passava absurdamente sem atrasos às onze e quarenta e cinco.
já sentada, vendo a cidade passar por mim, observei os prédios com sacadinhas e crianças brincando em playgrounds - a concretização da vida perfeita diante dos meus olhos. o ar estava gelado e era difícil respirar.
saltei do ônibus com os livros nos braços, a mochila nas costas. senti a dor.
eu estava morrendo.
cada dia um pouco. e nada que eu fizesse poderia mudar isso.
decidi dias antes que morrer era um problema só meu e ninguém mais havia de se preocupar com isso. eu iria só como um barco no mar de tempestade. ninguém merecia sofrer mais do que o necessário com a minha ida. não existe motivo para o alarde uma vez que nós todos iremos para o mesmo lugar, afinal.
escolhi viver a vida como se não soubesse. escondendo um segredo de mim mesma até que chegasse o dia.
andei até minha casa sem conhecer direito aquelas ruas à luz da tarde nublada. me senti em território estrangeiro. as pessoas me olhavam como se soubessem do que eu tanto guardava. há culpa em meu rosto, é fato, ou talvez seja só o frio. achei que a brisa gélida poderia ser motivo para se olhar alguém nos olhos, uma compaixão desnecessária.
não havia mais nada a ser dito.
eu era uma bomba-relógio.
toda aquela juventude me dava náuseas, então fiz o possível para fazer o que tinha que fazer o mais rápido possível e conseguir pegar o ônibus que passava absurdamente sem atrasos às onze e quarenta e cinco.
já sentada, vendo a cidade passar por mim, observei os prédios com sacadinhas e crianças brincando em playgrounds - a concretização da vida perfeita diante dos meus olhos. o ar estava gelado e era difícil respirar.
saltei do ônibus com os livros nos braços, a mochila nas costas. senti a dor.
eu estava morrendo.
cada dia um pouco. e nada que eu fizesse poderia mudar isso.
decidi dias antes que morrer era um problema só meu e ninguém mais havia de se preocupar com isso. eu iria só como um barco no mar de tempestade. ninguém merecia sofrer mais do que o necessário com a minha ida. não existe motivo para o alarde uma vez que nós todos iremos para o mesmo lugar, afinal.
escolhi viver a vida como se não soubesse. escondendo um segredo de mim mesma até que chegasse o dia.
andei até minha casa sem conhecer direito aquelas ruas à luz da tarde nublada. me senti em território estrangeiro. as pessoas me olhavam como se soubessem do que eu tanto guardava. há culpa em meu rosto, é fato, ou talvez seja só o frio. achei que a brisa gélida poderia ser motivo para se olhar alguém nos olhos, uma compaixão desnecessária.
não havia mais nada a ser dito.
eu era uma bomba-relógio.
domingo, 19 de abril de 2009
o que eu não tenho coragem de te dizer:
estar com ele é fácil. ele não faz muitas perguntas, não quer saber da onde venho ou aonde dói. apenas está lá, assistindo futebol e falando uma besteira qualquer pra me fazer rir. tentando chegar a um consenso sobre times e gêneros musicais, mesmo sabendo que nunca vai dar em lugar nenhum porque nós simplesmente não temos muitas coisas em comum. ele não pergunta se estou triste. nunca perguntou. ele não pergunta da minha essência, não quer saber porque eu sou assim. quando contei pra ele sobre meus pesadelos e o motivo dos remédios para dormir, ele me fez rir e eu acabei achando meu problema todo uma grande besteira. não massageou meu ego dizendo que eu não tinha motivo nenhum pra ser tão insegura nem fica falando que eu sou bonita, ou coisa do tipo. ele me fez rir. assim como me faz rir do mau humor que eu fico quando sinto sono ou da minha memória de peixe. é como se nós nos conhecessemos há séculos e ao mesmo tempo, não nos conhecessemos nem um pouco. é raso e leve como deve ser.
ele é uma piscina num dia de calor, e a àgua bate bem nos meus ombros. é o suficiente pra me refrescar e eu não preciso fazer esforço - apenas fico lá, boiando, mergulhando, voltando a superfície com a certeza de que meus dois pés estarão no chão quando eu quiser, numa altura segura, sem precisar ter medo de me afogar.
quando eu olho em seus olhos eu só penso que queria que a vida fosse sempre assim. rir dos nossos problemas e depois dormir de conchinha. ter todas as piadas internas do mundo quando nós nos conhecíamos não tinha nem 24 horas.
prazer efêmero esse, o de se apaixonar. é como sentir prazer na força que se faz ao pressionar o buril contra a madeira ao fazer uma gravura. assim que você estiver gravado em mim, eu vou sentir falta desse prazer e o que eu sinto será um caminho sem volta - porque quando a gente gosta de alguém nunca pode ser só alegria. o amor dói e isso é uma constante. amor tem que doer.
o amor tem que doer.
como uma tatuagem.
o amor é uma tatuagem, uma gravura na carne.
tem que doer como uma cólica incessante, queimar como um fogo inevitável, cicatrizar lentamente como uma ferida e deixar uma marca que não desaparece nunca.
ele é uma piscina num dia de calor, e a àgua bate bem nos meus ombros. é o suficiente pra me refrescar e eu não preciso fazer esforço - apenas fico lá, boiando, mergulhando, voltando a superfície com a certeza de que meus dois pés estarão no chão quando eu quiser, numa altura segura, sem precisar ter medo de me afogar.
quando eu olho em seus olhos eu só penso que queria que a vida fosse sempre assim. rir dos nossos problemas e depois dormir de conchinha. ter todas as piadas internas do mundo quando nós nos conhecíamos não tinha nem 24 horas.
prazer efêmero esse, o de se apaixonar. é como sentir prazer na força que se faz ao pressionar o buril contra a madeira ao fazer uma gravura. assim que você estiver gravado em mim, eu vou sentir falta desse prazer e o que eu sinto será um caminho sem volta - porque quando a gente gosta de alguém nunca pode ser só alegria. o amor dói e isso é uma constante. amor tem que doer.
o amor tem que doer.
como uma tatuagem.
o amor é uma tatuagem, uma gravura na carne.
tem que doer como uma cólica incessante, queimar como um fogo inevitável, cicatrizar lentamente como uma ferida e deixar uma marca que não desaparece nunca.
quarta-feira, 4 de março de 2009
sonho de uma noite de verão
tu me olhas com teu olhar pornográfico, me despindo a alma
és obsceno, meu Demétrio despudorado
pra sempre serei tua Helena: casta, dedicada
admirando todos teus passos na direção contrária
até que um dia as fadas se tomarão de raiva
e os elfos, cansados destas minhas lágrimas
providenciarão para que um amor perfeito nasça
muito além da minha paixão que toma forma de urticária
então teu corpo tomará meu corpo numa urgência abençoada
e todas as tuas Hérmias desaparecerão na noite escura
tua voz em meu ouvido prometerá Atenas iluminada
e ao menos esta noite serás meu, e serei tua.
és obsceno, meu Demétrio despudorado
pra sempre serei tua Helena: casta, dedicada
admirando todos teus passos na direção contrária
até que um dia as fadas se tomarão de raiva
e os elfos, cansados destas minhas lágrimas
providenciarão para que um amor perfeito nasça
muito além da minha paixão que toma forma de urticária
então teu corpo tomará meu corpo numa urgência abençoada
e todas as tuas Hérmias desaparecerão na noite escura
tua voz em meu ouvido prometerá Atenas iluminada
e ao menos esta noite serás meu, e serei tua.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
quando o amor chegar tomando conta do teu corpo
te olhando nos olhos,
eu espero que doa,
eu espero que morra.
eu espero que lentamente desfaça teus orgãos
e derreta teus pensamentos
quando o amor chegar destruindo tudo
eu espero que seja eu teu objeto de desejo,
tua obssessão incontrolável,
o mesmo sonho toda noite,
a vontade insana.
vou pegar em tuas mãos para apenas uma vez dizer:
"vês? todas aquelas lágrimas me queimaram a face
deixando cicatrizes escuras no rosto pálido.
os meus lábios secaram
e meu corpo agora morto já não te espera.
minhas palavras, letras geladas, não te alcançam.
anjo,
você está surdo,
morrendo aos poucos
como eu estive por tanto tempo,
por tantos dias,
me desfazendo
por ti."
te olhando nos olhos,
eu espero que doa,
eu espero que morra.
eu espero que lentamente desfaça teus orgãos
e derreta teus pensamentos
quando o amor chegar destruindo tudo
eu espero que seja eu teu objeto de desejo,
tua obssessão incontrolável,
o mesmo sonho toda noite,
a vontade insana.
vou pegar em tuas mãos para apenas uma vez dizer:
"vês? todas aquelas lágrimas me queimaram a face
deixando cicatrizes escuras no rosto pálido.
os meus lábios secaram
e meu corpo agora morto já não te espera.
minhas palavras, letras geladas, não te alcançam.
anjo,
você está surdo,
morrendo aos poucos
como eu estive por tanto tempo,
por tantos dias,
me desfazendo
por ti."
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
galego
você me faz querer demais sair de órbita
não sei quem sou, pra onde vou,
não há mais sentido
e as palavras vêm sempre fáceis pra você
me confundindo
eu poderia amar teu corpo pra sempre
e repousar morta em teus braços
quando finalmente tomasse teus poros
quando te devorasse por dentro
você se vai, vem e se faz coisa ou outra
e esse ardor, todo torpor
poderia ter sido
e teria sido mais fácil não te conhecer
me distraindo
eu poderia querer teus olhos pra sempre
e me perder solta nos teus reflexos
quando finalmente você fechar os olhos
quando te conhecesse inteiro
não sei quem sou, pra onde vou,
não há mais sentido
e as palavras vêm sempre fáceis pra você
me confundindo
eu poderia amar teu corpo pra sempre
e repousar morta em teus braços
quando finalmente tomasse teus poros
quando te devorasse por dentro
você se vai, vem e se faz coisa ou outra
e esse ardor, todo torpor
poderia ter sido
e teria sido mais fácil não te conhecer
me distraindo
eu poderia querer teus olhos pra sempre
e me perder solta nos teus reflexos
quando finalmente você fechar os olhos
quando te conhecesse inteiro
não éramos nada
nunca seremos
dentro de tudo que nos perdemos
não havia vida
nem arrepios
apenas a esperança de um amor tardio
nunca seremos
dentro de tudo que nos perdemos
não havia vida
nem arrepios
apenas a esperança de um amor tardio
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
sempre preferi o que era errado
o proibido
o que não era pra ser
não sei seu gosto nem seu cheiro
mas te vejo na palma das minhas mãos
talvez seja o destino
um reflexo
um modo de se defender
não quero jogar teus jogos
não me fale de um amor que não conhece
não me use de cobaia
não me entorpeça com tuas palavras
apenas venha
e tome conta do meu corpo, meus poros
te dei a chave para invadir minha alma
faça algo agora
ou não faça nada.
o proibido
o que não era pra ser
não sei seu gosto nem seu cheiro
mas te vejo na palma das minhas mãos
talvez seja o destino
um reflexo
um modo de se defender
não quero jogar teus jogos
não me fale de um amor que não conhece
não me use de cobaia
não me entorpeça com tuas palavras
apenas venha
e tome conta do meu corpo, meus poros
te dei a chave para invadir minha alma
faça algo agora
ou não faça nada.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
quase um fim.
atravessei a marginal de olhos fechados
ouvindo a buzina dos carros
as motos zunindo ao meu lado
pisei na calçada quase que frustrada
e me voltei para os carros que corriam com raiva
gritei nomes sujos caída na lama
deus, porque me manter aqui?
já não há semente que eu possa plantar
nem frutos que eu possa colher
não há nada mais que eu possa fazer
e sigo atravessando avenidas movimentadas
com olhos fechados, o peito aberto
sem medo, sem dor,
sem flor, sem nada.
ouvindo a buzina dos carros
as motos zunindo ao meu lado
pisei na calçada quase que frustrada
e me voltei para os carros que corriam com raiva
gritei nomes sujos caída na lama
deus, porque me manter aqui?
já não há semente que eu possa plantar
nem frutos que eu possa colher
não há nada mais que eu possa fazer
e sigo atravessando avenidas movimentadas
com olhos fechados, o peito aberto
sem medo, sem dor,
sem flor, sem nada.
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